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sexta-feira, 25 de março de 2011


“Sonhos de um menino”
Decepcionante realidade!
Ricardo Martins

Sou da geração dos anos 50, para ser exato de 1952, gênesis privilegiado, chamado de “anos dourados, prateados, luminosos, revolucionários, transgressores, enfim, transformadores. Creio que sim, na real, pós a chamada era moderna, tudo aconteceu a partir daí: Elvis Presley e o Rock and Roll, antes dele, Bill Halley e seus Cometas, Little Richard e tantos outros, The Beatles, Frank Sinatra, Nat King Cole, Bossa Nova, Jovem Guarda, Roberto Carlos, Tim Maia, Ellis Regina, Woodstock, amor livre e os Hippies, Martin Luther King, Pelé e Garrincha, e tantas outras figuras e movimentos culturais e até mesmo estruturais, ditaduras militares, no Brasil e pelo Mundo afora, conquista da Lua e outros grandes feitos, avanços na medicina e nas pesquisas em geral, na tecnologia de processos, procedimentos e equipamentos, e evolução dos estudos científicos em todas as áreas da Vida e do que lhe cerca.

Foram realmente anos de Ouro, que a meu ver duraram 30 anos (décadas de 50/60/70).

Menino, no Rio de Janeiro, Zona Norte, outra realidade em relação à chamada Zona Sul, via as coisas acontecerem, mas a informação na época, se comparada aos dias de hoje, andava a passos de um cágado e o pior, faltava conhecimento e esclarecimento mais detalhando, observações, comentários, discussões, enfim, falava-se pouco em casa sobre assuntos extremamente importantes, e a meninada então vivia embalada por sonhos e por seus heróis que serviriam de exemplo para um futuro ainda distante, “infelizmente não tão distante assim, a Vida passou como um Cometa, daqueles que não retornam”, (saudades daquela época que deveria ter sido eterna! Ufa!)

Pois então, hoje o sonho dos meninos é jogar futebol e das meninas é ser modelo, no meu tempo queríamos ser “polícia”, advogado ou Juiz!

Sabem aquele lance da Lei, Ordem e Justiça para todos?

 “Os Paladinos da Lei”, Os Intocáveis, O Patrulheiro Rodoviário, Brubacker e outros tantos que influenciaram gerações em busca destas profissões que para muitos eram mais sagradas que a de um Padre. Eram incorruptíveis, duros e justos! Para eles a Lei, a Ordem e a Justiça estavam acima de tudo, tementes a DEUS lutavam em proteger os mais fracos e oprimidos, além disso, havia revistas, livros, filmes e documentários sobre o Direito, casos de justiça e policiais que proliferavam por aqui.

Infelizmente 30 anos depois, nas décadas marcadas pela busca incessante pelo poder, status e representatividade financeira a qualquer custo, os sonhos na realidade se tornaram pesadelos. Tudo se inverteu, a ordem das coisas e seus valores, para uma grande maioria de profissionais, decepcionantemente, tomaram outro rumo, outra cara, outro objetivo, exatamente o oposto do que os sonhos de menino nos propunham! Muito triste isso!

Eu não me formei em nenhuma daquelas profissões e atividades, derivei para a psicologia humana, o comportamento e o cotidiano, além do marketing e a comunicação, onde também estão abrigados bons e maus profissionais, porém a decepção é muito grande.
Nos meus sonhos de menino a TOGA e a figura de um magistrado, um Juiz era inquestionável, a farda ou a missão de um policial ou de um advogado, além de admirável era algo sagrado, imaculado, digno e ético.

Hoje, por qualquer preço, vantagem ou mínima exposição na mídia, um grande número de profissionais inescrupulosos, independente da atividade, se vende, negocia a alma, entrega a própria mãe!

A pergunta que fica e que minha querida Vó, que faleceu aos 98 anos e lúcida faria, é a seguinte: “Meu filho, será que esta gente tem coragem de olhar nos olhos dos próprios filhos e ainda os embalar ao sono"?

Não sei dizer, minha querida e saudosa Vovó Minerva, referencia de minha Vida, onde morava a dignidade, o caráter e a retidão, mas, com certeza, para nós meninos, naqueles tempos dourados e utópicos, que sonhávamos com nossos heróis, tudo se tornou um lamentável, deprimente, assustador e sem tamanho pesadelo.

3 comentários:

Vidas e Revidas... disse...

Infelizmente muitos se perdem no meio do caminho, antes de alcançarem seus sonhos. Outros se tornam grandes homens, poderosos, mas acredito que se olhassem para o fundo de suas almas com o olhar infantil que um dia possuiram, sentiriam vergonha do ser deprimente e doente que se tornaram.
Outras pessoas não conseguiram chegar onde sonharam, porém se tornaram pessoas de bem e é o que você se tornou. Devemos sempre ter orgulho das virtudes divinas que encontramos na nossa alma, As conquistas materiais são conseqüência dos nossos merecimentos, mas é apenas um detalhe na nossa vida.
O mais importante é não esquecer o coração bondoso e sonhador que todos ao menos um dia possuímos na pouca idade, imaturidade, mas sábia e divina em relação à construção de um mundo melhor.

Anônimo disse...

Caro Ricardo:
Muito interessante reflexao. Recomendo a leitura de livro de Neil Postman:
POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro, Graphia, 1999.
Mais info:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Neil_Postman
Dr. José M. Bautista Vallejo
Universidade de Huelva (Espanha)
http://www.investigalog.com

Tio Dé disse...

Linda reflexão ... São os bons tempos que não voltam mais, mas deixaram muitos ensinamentos. Deixaram saudades.