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domingo, 1 de julho de 2012


Saudade boa de sentir!!!!
Ricardo Martins
Você é a saudade que gosto de ter....frase de Isolda, autora e compositora da canção, “Outra Vez”... imortalizada por nada menos que Roberto Carlos, o Rei da Jovem Guarda, o maior artista brasileiro de todos os tempos, outra saudade que gosto de ter, pois vivi intensamente esta fase maravilhosa  em minha rica juventude, no meu querido e amado Rio de  Janeiro, cidade onde ainda bem menino já andava de um lado para o outro com uma intimidade que hoje me surpreende ao relembrar, mas que na época nem percebia, éramos íntimos eu e “minha cidade” maravilhosa, o meu Rio de Janeiro, ( momento difícil de escrever pois as coisas me emocionam muito e conter as lágrimas é muito complicado).  

Estas, entre outras, são saudades que gosto de sentir, que tocam profundamente e me emocionam por demais, são momentos especiais, fases de minha infância e juventude, onde o Mundo e o Brasil passaram por inúmeras transformações marcantes e definitivas, culturais, sócio políticas, enfim...tudo mudou nas décadas douradas de 50,60 e parte de 70. E eu e minha geração, entre outras, viveram tudo isso com muita intensidade, daí certamente as recordações que me emocionam inteiramente, são saudades boas e não as de apenas um saudosista triste e incompleto, que delira apenas por vontade de voltar. Eu não penso assim, eu “sinto” tudo como se um filme passasse e eu o assistisse e vivesse tudo novamente, saudades que gosto de ter, que me tocam muito, que adoro reviver.

Uma música dos Beatles, um rock do Elvis ou as músicas da Jovem Guarda, do “Rei” Roberto Carlos, Erasmo e toda a turma imortal: Renato e seus Blue Caps, os Golden Boys, Eduardo Araujo, Martinha, Wandeca, entre tantos outros meninos daquela época de ouro, meninos estes que jamais podiam imaginar sua importancia para tanta gente e para o mundo como um todo. E por aí outros tantos surgiram de forma acentuada e inesquecível por toda a trajetória da MPB, entre eles o velho, excepcional e imortal Tim Maia, e registrados pelos hits internacionais que marcaram os tempos como se tatuagens  fossem, definitivamente.

É importante ressaltar que não falo de tristeza, pois não é assim. Meu sentir, minha emoção profunda é semelhante a de rever um filme antigo, que retrata uma era distante, contudo especialmente marcada por momentos jamais esquecidos e mesmo que minha memória falhe estes momentos estarão para sempre tatuados em minha alma, em minha trajetória, em minha existência e para sempre, eternamente.
Minha infância em Vila Isabel, minha adolescência no Engenho Novo, minha juventude no Méier, nos bairros do subúrbio mais puro de meu Rio de Janeiro, onde subia os morros sorrindo, os pés descalços em companhia de meus queridos amigos que ali residiam em paz e harmonia com todos, hoje transformados em fortalezas como se uma guerra civil existisse, isso sim é muito triste....dolorido de ver, locais onde antes jogávamos bola de gude, futebol, brincávamos de pique esconde, hoje infernizada por bandidos, pelo crime e dominados pelas drogas e pela repressão policial.

Dali certamente, e de minha formação e berço familiar, além dos exemplos de meus pais, avós e outras pessoas importantes em minha vida, vem meus ideais e os desafios que “comprei” durante todo o meu caminho até os dias de hoje.

Detesto a injustiça, tenho a liberdade como bandeira, admiro o lindo, o simples, o belo, o natural! Sou cabeça e coração! Alma e sentimento! Sou a Estrada, o Caminhar, a Vida , o Tempo, sou o Amor, por certo e sempre!

Por tudo isso com certeza a emoção me arrebata ao observar, testemunhar, vivenciar  ou participar de um ato de justiça natural e decorrente da própria vida, da aplicação da Lei rigorosamente a quem a infringir, não importa quem, nem o que representa, enfim quando testemunho belos e marcantes momentos  de dignidade e de caráter e sobretudo quando vejo, percebo ou sinto um ideal do “bem”se materializar , isso tudo me emociona ou mexe comigo, com minha sensibilidade, com a saudade de tempos mais simples, duros e desafiadores, pela falta principalmente de recursos  ou ferramentas para enfrentá-los, entretanto momentos lindos e maravilhosos, especiais, enfim, provocam saudade boa de sentir, saudade que gosto de ter.

“Encosta sua cabecinha no meu ombro e chora e conta tuas mágoas todas para mim”... Tempos que se vão e que passaram, não voltam mais....me emociona, me fazem lágrimas impossíveis de conter, derramar....,mas que ficaram e ficarão prá sempre no meu coração! Por todos os tempos e para todos os tempos, para sempre...

Saudade boa que gosto de ter!

6 comentários:

Ivana Maria disse...

Que legal! Uma nostalgiazinha assim é legal de vez em quando para gente lembrar o quanto era "feliz e não sabia". Né? Ah, e sobre o Rio de Janeiro, li hj no Blog de uma amigo que a cidade foi consagrada como "Patrimonio Cultural da Humanidade". Confere isso lá http://blogdochimarrao.blogspot.com.br/2012/07/rio-recebe-titulo-de-patrimonio.html bjs

denise andrade s. mora disse...

Que lindo seu texto, a gente se sente andando pelo Rio, uma cidade que admiro e que é linda demais. Parabéns.

Hélia di Cavalcanti disse...

Que bom a saudade. Mostra o quanto a vida foi boa e intensa. Fatos que não voltam mas que são e estão fazendo parte do presente. Um cheiro, um gosto, um sopro, uma música, uma idéia, um sentimento lá no fundo do peito e tudo volta como se fosse agora. Gosto muito do que escreve. Gosto de você.

Ceci Leme Cardoso disse...

Muito lindo o seu texto! Todos nós temos saudades dos bons e velhos tempos da infância e da adolescência.
Parabéns!

Fabiana Ratis disse...

Seu mais belo e profundo texto, uma vez q/ você não somente opina, mas se coloca como partícipe de uma realidade q/ vivenciou - base de sua formação - e da qual não esqueceu. É uma crônica e em alguns momentos um artigo em q/ posições são defendidas como a ojeriza à injustiça. Faço minhas sua palavras: "Cenas do Cotidiano", de Ricardo Martins. Bjs

JO•♥• disse...

Emocionei-me... caminhei com você pelas ruas de Vila Isabel, Meier... joguei bola de gude... Lindo tudo isso! Saudade, ahh esse sentimento, um misto de coisa boa com umas nem tanto... pq as vezes são tão boas e mesmo assim são doídas, pq será? Parabéns! Tua sensibilidade é surpreendente! Beijos